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segunda-feira, 20 de junho de 2011

Escadas das Verdades - Bairro do Barredo - Porto

Há sítios que para uns não dizem nada, são simples escadas velhas e cheias de musgo junto a casas e cair, inabitadas, perdidas por entre as ruelas de bairros outrora movimentados que hoje quase ninguém ousa percorrer. Ficam assim ao abandono zonas inteiras que aproveitadas seriam belíssimas, com fantástica vista e óptima acessibilidade. Claro que isto é propício a que se tornem mal frequentadas e obscuras e que tudo e mais alguma coisa conduza à sua constante degradação. No entanto, para outros, sítios simples como estes significam tanto! O sítio da foto, é para mim, um desses sítios que nos dizem tudo. Fui lá tão feliz e tão triste em tempos passados. Apesar do ar antigo e desconfortável que aparenta, com a companhia certa, torna-se tão belo e místico e inesquecível e divertido e aconchegador! Sentada nessas escadas (não muito vísiveis na foto uma vez que são um pouco mais acima), vi o metro percorrer incansavelmente a Ponte D. Luís como se não houvesse amanhã. Também para mim, nesses momentos não houve um "depois". Não houve um "amanhã". Houve o "agora", o "presente", por mais doce ou amargo que ele fosse. Era ali, naquele ambiente misterioso e sedutor que tudo acontecia, o bom e o mau. Era ali que eu saboreava os beijos mais adocicados e que chorava as lágrimas mais salgadas. Era ali que arrepios percorriam todo o meu corpo sem que eu os pudesse controlar, que suspiros e segredos e palavras bonitas voavam silenciosamente do coração para os ouvidos. Era também ali que gritos de dor, loucos e porém tão mudos, abafavam todos os sons daquela natureza morta que eu havia gravado na memória. Era ali que imagens momentâneas, fortes e vigorosas, transpunham pequenos pormenos que eu fotografara com o olhar anteriormente e guardara na lembrança. O facto de um capítulo da minha vida ter iniciado e terminado exactamente ali, exactamente no mesmo sítio, nas mesmas escadas, junto às mesmas casas, diante do mesmo metro, dá-lhe algo mágico que nada poderia abalar, mesmo estando já passado e ultrapassado tal capítulo. Algo que faz com que eu queira lá voltar, apesar de saber que isso vai chamar a saudade e atiçar a melancolia que estão enterradas e adormecidas no fundo do meu coração e que só acordam às vezes, com impulsos muito fortes. Agora que reparo no que escrevi, talvez não estejam completamente ultrapassados - isso significaria que esta parte da minha história estaria esquecida e isso nunca vai, claramente, acontecer. Simplesmente já passaram, ficaram para trás, agora empenho-me em escrever novas páginas, nunca esquecendo que cada pedacinho do meu passado me construiu, cada capítulo consolidou a minha história. Uns custaram muito a escrever, outros fluíram como ar, tão espontaneamente! Ainda tenho um enorme livre em branco para preencher e felizmente, alguém que me dá a mão quando me canso de escrever. Vou-me ocupar disso.

"E se o nosso amor não parece um filme, então não sei o que parece. (...) De quando em vez pergunto-te se tens saudades minhas, mas «não interessa» é algo com que tenho de aprender a viver."     -  in "Silêncio", 02-02-10, AnneL. -

Suum Cuique...

 
« I claimed I didn't care for you
But your verse got trapped inside my head
Over and over again
You played yourself to death in me

I thought I'd drop you easily

But that was not to be
You burrowed like a summer tic
So you invade my sleep and confuse my dreams
Turn my nights to sleepless itch! »


In memoria aeterna 'Jesus&MaryMagdalene'.

quarta-feira, 26 de maio de 2010


 



"Mau é depois do amor não haver vestígio dele."  
Clã.

Espreita ♥